Propósito: realidade ou fake news?

O diferencial de uma empresa

Você certamente já ouviu falar de Propósito. Além da Missão, da Visão e dos Valores, hoje é recomendado para a composição do mindset de uma empresa a definição do Propósito, o seu legado para a sociedade, um porque maior para sua existência, além do lucro. Num momento em que o respeito as diferenças, a liberdade de gênero, a sustentabilidade e o cuidado com o social passaram a ser protagonistas, espera-se que as empresas, e não apenas as pessoas, contribuam para uma sociedade mais justa e a proteção do planeta.

As empresas são formadas por pessoas. Se o empresário for uma pessoa engajada com estes paradigmas, entende-se que ele irá implantar tais conceitos no seu negócio e montar um time que esteja em sintonia com eles.

No entanto, vimos hoje que as empresas que estão revolucionando o mercado de trabalho e as relações trabalhistas apresentam lindos Propósitos, tem um discurso moderno e alinhado com as novas demandas da sociedade, mas a prática é bem diversa.

Então, fica a pergunta: será o Propósito mais uma jogada de marketing? Ou é possível fazer negócios com ética e respeito a todos?

Vejamos alguns exemplos. Uber, 99, Ifood, Rappy e afins. Os trabalhadores são autônomos, ganham por produção, trabalham na hora que quiserem, quando quiserem e podem prestar serviço para mais de uma empresa concorrente simultaneamente. Parece muito bom!

Será? O que vejo é uma exploração de desempregados, disfarçada num discurso de liberdade de escolha e autonomia. O valor pago por serviço é muito baixo! O motorista de aplicativo trabalha até 12 horas por dia pra conseguir ganhar alguma coisa, e ainda manter seu carro. E os entregadores de bicicleta, além do baixo valor por entrega, não recebem equipamento de proteção (capacete, luva), nem qualquer orientação sobre a conduta: pedalam na contramão, sobre as calçadas e ainda estão sempre de olho no celular. Colocam suas vidas e dos demais em risco. E para completar, as empresas não pagam impostos.

O Propósito como jogada de marketing fica sem sustentação. Relações de trabalho mais harmônicas e boas para todos (não só para os acionistas) precisam ser incorporadas nas práticas das empresas. Aí sim, poderemos falar em legado para a sociedade. O resto é fake news.