Como começou a web no Rio de Janeiro e para mim

geocities

Em 1994 o IBGE disponibilizou acesso a Internet para um seleto número de usuários no Rio de Janeiro. Um amigo que trabalhava no IBGE colocou nosso nome na lista e nós fomos uns dos primeiros usuários da Internet aberta na cidade, talvez do Brasil. Até então, somente universidades podiam utilizar a Rede.Comecei a fuxicar, descobri o código das páginas e, mesmo sem saber programar, fui mudando uma coisa aqui, outra ali, até criar minha própria Homepage (como chamávamos os websites na época) no Geocities. Não havia ainda o Comitê Gestor, nem .br. A única forma de se obter uma URL era usar um espaço dentro de algum serviço destes, gratuito, e o endereço era uma pasta com nome de um bairro de Nova Iorque, seguido de um número. O meu era www.geocities.com/soho/1793. O e-mail já estava começando, através dos primeiros provedores. O que bombava mesmo eram os BBS, o Facebook da época: bate papo, só por texto. Imagine, usávamos modem via telefone e 56 bps era velocidade boa!

yahooAlgum tempo depois, o Yahoo comprou o Geocities e incorporou todas as contas. Um dia, eu tentei entrar no meu site para atualizá-lo. Fui barrada porque a conta que o Yahoo criou para mim era de menor de idade e eu precisava de algum responsável para autorizar a entrada. Depois de lutar muito, clicando em todos os cantos procurando uma forma de corrigir, ou ao menos falar com o Yahoo, resolvi a situação criando uma nova conta de mãe de mim mesma. Então­, eu me autorizei a usar a minha conta. Bizarro, não?

Surgiu finalmente o registro.br e os provedores de hospedagem brasileiros. Finalmente pude criar minha própria URL: jaldesign.com.br. Uma aventura na selva, vista pelos olhos atuais. O design era limitado pela programação, limitadíssimo, o que acabava sendo um grande desafio criar algo decente e diferenciado.

registro

A tecnologia evoluiu muito e rápido. Os modens aumentaram a velocidade, depois veio a banda larga. Na área da programação, o html ganhou novas versões com mais possibilidades e novas linguagens e ferramentas surgiram. Veio o Flash e as páginas ganharam movimento e interação. Eu achei que finalmente poderia me concentrar na criação, pois os obstáculos tecnológicos estavam vencidos. Então­ veio a Apple e matou o Flash, os monitores de repente ficaram enormes e muito mais horizontais, surgiu o tablet e o celular ganhou acesso a Rede. Agora precisamos pensar em vários tamanhos de tela, navegadores, e interatividade sem Flash. Outras soluções passaram a dar conta do movimento e da interatividade, e então as redes sociais explodiram e a integração com elas passou a ser mandatório.

A tendência do momento do design digital é usar o modelo lançado pelo Windows 8, clean e sem sombras e luzes, após algum tempo de muitos efeitos de sombra e luz, de brilho metálico. Dizem que é um design sem metáforas do mundo real, finalmente. Até a próxima onda.

Todas estas mudanças começam a virar modismo e temos que tomar cuidado para não cair na tendência da estação. Por outro lado, acompanhar a evolução tecnológica e visual é muito importante para manter-se atualizado.

Uma coisa não mudou: a importância da mensagem. O que falo, para quem falo, o posicionamento da marca e uma clara apresentação dos produtos e serviços. O que muda é como essa mensagem é apresentada e se propaga.

Me sinto privilegiada por ter vivido todas estas transformações. Uma trajetória cheia de reviravoltas, reaprendizagens, questionamentos e mudanças. Não tem monotonia!