As marcas agregam valor as pessoas?

Algo muito preocupante vem tomando conta da nossa sociedade. Cada vez mais os sí­mbolos de status vêm se tornando importantes e permeando todas as camadas sociais. Desde as camadas mais pobres passando pela classe média até as mais altas, parece que a inversão de valores aumenta a cada dia.

Vemos pessoas exibindo tênis de marcas caríssimas, roupa de grife, iPhone (top de linha, claro), como se estes itens as transformassem em pessoas legais, modernas, interessantes e poderosas. Mesmo quem não poderia pagar por estes itens, dá seu jeito: o negócio é TER.

Chegamos então na questão das marcas. O trabalho de construção de algumas marcas é tão bem feito que as pessoas realmente acreditam que se tornam melhores apenas por usá-las. Que sociedade vazia e inconsequente é esta em que não vale mais o SER? Uma sociedade na qual as pessoas procuram os valores externamente e se você não tem tal objeto, não pertence? Uma sociedade em que todos querem pertencer, e o ingresso são objetos?

No Brasil  de hoje, educação, cultura e debate de opiniões são coisas chatas, perda de tempo. O negócio é estar com a maioria, pertencer ao grupo, não questionar, usufruir das coisas e “vamu nessa” pro shopping comprar mais um pouco de “sou legal”, “sou cool”. Não podemos parar, o oba oba tem que continuar freneticamente. O vazio interior de cada um vem sendo preenchido com as marcas. Se quero ser mais saudável, compro um tênis Nike, uma blusa de corrida com tecido inteligente da Adidas. Se quero parecer moderno e antenado, preciso ter um iPhone e um iPad. Se quero ser o “cara”, tenho que ter as roupas das grifes mais identificadas com minha galera. O importante é que todos achem o que eu sou e não que eu realmente seja.

Quanto tempo este vazio pode ser sustentado pelas marcas? Quanto tempo as pessoas poderão manter o ritmo?

O valor da marca e o valor das pessoas

Não sou contra as marcas, muito pelo contrário. Muitos produtos agregam qualidade no nosso dia a dia e trazem benefícios, outros são simplesmente bonitos e é bom usá-los. O problema começa quando eu passo a me definir pelos objetos que possuo, quando eu não gero valor próprio, quando eu não invisto em mim enquanto ser humano. A construção de um mundo melhor passa pela construção de pessoas melhores, mais tolerantes, que pensem e proponham novas soluções e que tenham ética e atitudes consequentes. Este mundo tem lugar para o belo e para o cool, para a moda e os modismos, e para bobagem também.